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Brasil é o país com maior problema de trabalho forçado, diz OIT

 

Agência EFE


09:35 11/05

O trabalho forçado na América Latina e no Caribe gera 1,3 bilhão de dólares de lucro e afeta particularmente trabalhadores agrícolas indígenas sem condições de pagar suas dívidas com prestadores de serviço, revelou nesta quarta-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Leia abaixo o texto

O Brasil é o país que tem o maior problema e onde foram identificados casos de "trabalho escravo", particularmente nos estados do Pará e Mato Grosso.

Na Bolívia também existem várias formas de trabalho forçado. O mais comum se baseia em pagamentos antecipados aos camponeses nas regiões tropicais de Santa Cruz e Chaco.

Nessa mesma região, mas em território paraguaio, os trabalhadores são submetidos a discriminação e tratamentos abusivos em fazendas de criação de gado, segundo o primeiro relatório sobre a situação do trabalho forçado no mundo elaborado pela OIT.

A entidade também registrou inúmeros casos no Peru que consistem no recrutamento forçado em acampamentos de exploração florestal e entre comunidades nativas isoladas.

"A floresta amazônica parece ser um imã para o trabalho forçado, já que a falta de emprego, o isolamento geográfico e a ausência de instituições estatais fazem desta área um terreno fértil para o tráfico de trabalhadores indefesos", observa o estudo.

A OIT calcula que "poderiam haver até 20 mil trabalhadores nestas condições, muitos deles acompanhados por suas mulheres e filhos".

O principal autor do relatório, Patrick Belser, disse que, apesar desses dados, a situação nesse grupo de países "melhorou nos últimos anos" devido à vontade política das autoridades para conter o trabalho forçado.

O país que mais avançou nesse sentido foi o Brasil, cujo exemplo foi seguido por Bolívia, que "reconheceu o problema e criou uma entidade nacional que recomendará normas e medidas concretas para combater esse tipo de exploração", assinalou o especialista da OIT.

Por sua vez, "Peru e Paraguai estão refletindo e seus ministros (de Trabalho) manifestaram à OIT a intenção de criar mecanismos similares com a participação de empregadores, sindicatos e da sociedade civil".

Belser explicou que o trabalho forçado se concentra "em fazendas tradicionais, menos rentáveis", e que entre os fatores que tornam possível a exploração nas áreas rurais estão a frágil presença do Estado, os baixos recursos destinados à educação e as altas taxas de analfabetismo.

Além disso, influem negativamente a lenta implementação das reformas agrárias e a carência de documentos de identidade oficiais por parte dos camponeses indígenas, "o que os torna invisíveis perante as autoridades nacionais".

No entanto, os abusos através do trabalho forçado não se limitam às zonas rurais e também alcançam as áreas urbanas, onde as vítimas são utilizadas principalmente para a prostituição e para o trabalho doméstico.

Na América Central, disse o especialista, os trabalhadores são obrigados a cumprir horas extras sem nenhuma remuneração em troca. Nessa região, no entanto, a OIT não tem programas relacionados com esse assunto porque os governos -com exceção da Guatemala- não solicitaram ajuda.