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                            ENTREVISTA COM WILLIAM

            William, o  que é a vida?

            São todos os fatos  que acontecem ao nosso redor no exato momento em que acontecem.

            E a morte?

            É a ausência do registro destes fatos.              

A verdade?

            A verdade é tudo aquilo que se encontra submersa na espessa camada de mentiras construídas ao longo dos milênios, pela consciência dos povos.

            Como  identificá-la?

            Só com  muita agudeza  e sabedoria pode-se identificá-la,  senão corre-se o risco de  confundir-se e acabar    adotando como verdade uma nova mentira.

E a mentira em si?

            Nada temos de original. O que não espelha o comportamento da natureza é falso. A mentira é, na sua essência,  tudo aquilo que a sociedade tem feito e vem fazendo sem cessar.

            Qual a finalidade da vida?

            A finalidade da vida é manter-se saudável para gerar filhos saudáveis para que estes  possam   vencer as enfermidades e as intempéries da vida e poder  dar  continuidade ao processo de perpetuação da espécie. Assim é a vontade da Mãe Natureza. Qualquer outro sentido não passa de ideologia.

E a felicidade?

            A felicidade é o  almejo de  indivíduo de mente estreita. Normalmente só os tolos e os idiotas são felizes.

            A vida é só dor?  E a alegria?

            A dor é ocasionada pelo excesso de quereres não contemplados. Somente o equilíbrio entre a dor e a alegria pode tornar  a vida suportável.

            A Mulher?

             O complemento.

            Nela, o que mais lhe atrai?

            Os movimentos.

            O ofício bancário, o que tem a dizer?

            Assemelha-se ao de animais em confinamento. É alimentado, toma as injeções  recomendadas pelos médicos dos exames periódicos, faz sexo,  repõe as energias nos fins de semana. Um dia  se aposenta ou recebe um pé na bunda por ter ficado velho e não servir mais para a empresa. Só então  percebe que a vida passou e  ele não viu,  e,  o imenso vazio cavado na mente pela expectativa da vida que não veio o deixa abatido e logo compreende que  o  tiquinho  de tempo que ainda lhe resta para recuperar um grande  erro não será suficiente . Daí, o sacrifício normalmente destinado aos animais, se aplicado neste infeliz,  talvez, seria um gesto mais humano.

            O que faria se fosse presidente do Brasil?                        

O que todos fazem: viajar, viajar até conhecer todos os países do planeta, com o dinheiro público já que o povo concorda.  Este é o sonho de todo ser humano, mas que  só é possível quando  ocupa-se cargo relevante assim.

            E a governabilidade do país!

            Todos os presidentes  sabem que o FMI é quem governa o Brasil.

            Se um grande desejo seu pudesse ser realizado?

            Eu pediria que fizesse  surgir na mente  de todas as pessoas um clarão para que   todos  os povos,   num piscar de olhos,  pudessem ver   o quão venenosa a nossa sociedade é.

Quem é você!

            Com o registro de  infinitas primaveras na minha vida,   hoje eu já posso afirmar   que  sou o futuro de mim mesmo e o resultado de todos meus erros. Se eu tivesse me moldado aos  valores impostos a mim como certos,  por todos os elos da sociedade, inclusive pelos  meus pais,   hoje eu nada questionaria, não teria  desenvolvido a autocrítica, e  viveria como a maioria das pessoas que, com  a  bíblica no sovaco e a barriga vazia, acabam comendo  os agás dos líderes religiosos e ainda por cima pagam  por isto.

            A solução para um mundo melhor?

            Encontra-se na educação. Uma educação séria, voltada para o autoconhecimento, onde os educadores tenham  esta consciência.  A educação que temos com o fim de formar  homem técnico para gerar dinheiro, só tende a agravar os   males já existentes no nosso mundo  e que não são poucos.

            Recomeçar, o que mudaria?

            O homem nada muda, ele é quem sofre  mudanças   na   medida em que supera as dificuldades, feito o leito do rio que é formado conforme os obstáculos vencidos pelo curso d’água. 

E a Religião?

            Uma fuga espetacular da verdade.Tão espetacular quanto qualquer outra droga: como a cachaça, o sexo, a maconha, a cocaína e outras mais. Os empresários religiosos,  com medo das tentações desgarrarem-se o rebanho,  acabaram criando uma sociedade alternativa, um mundo individualista, gerando assim  espaço gigantesco no nosso meio para  os políticos corruptos e  industriais  inescrupulosos atuarem livremente.

            E Jesus?

            No momento, nunca um nome foi tão banalizado e explorado  comercialmente como o nome Jesus. Em todos os  botequins, paredes,   rádio, televisão encontra-se estampado esse nome.  Nem mesmo os Pop’s Star’s como  os Beatles ,  Elvis Preslye, Mikon Jackson   conseguiram  render   tanto dividendo. E´ hora de uma reflexão sobre este tema, senão encharcaremos o nosso  mundo de  insanos.

            Você acredita em Jesus?

            Acredito que um filósofo de nome Jesus  por aqui passou. O que não vejo é razão para  atribuir-lhe  tal sacralidade.

            E o seu martírio foi em vão?

            Não é  pelo fato dele ter morrido na cruz que devemos passar o resto da vida rendendo louvor ao sofrimento. Jesus morreu por questão política e econômica.O martírio, no meu entender, não passa de uma grande humilhação. Se Jesus tivesse metido o pé no barranco teria sido sacrificado ali mesmo, onde foi açoitado, e  se poupado de tamanho vexame. Vejo que o excesso de fé o cegou levando-o a esta situação ultrajante.

            “Ninguém chega ao pai senão por mim!” O que fazer, já que você não é seu seguidor.

            Quem segue os outros só chega onde este outro o levar. Toda e qualquer interferência de outrem é uma barreira para quem deseja a plenitude. Ou você chega a Deus por si só ou não chega a lugar algum.

            Quem é Deus?

            Deus é tudo aquilo que se encontra por detrás do intelecto. Só quando a consciência  cessa suas atividades e começa a diluir-se deixando a mente se manifestar, daí,   começa seu primeiro contato  com o universo, com a natureza, com o nirvana, com Deus ou com o  nome que queira  dar.

            E o amor?

            É uma dádiva dos Deuses  aos homens que não optaram pela indolência. O amor  se dá quando você consegue enxergar sem julgamento,  sem paixão e  sem a interferência da consciência, tudo aquilo  que discorre ao seu redor. O  silêncio profundo que acontece no espaço da  mente que descobriu Deus; é o verdadeiro Amor.

Entrevista com  José William Vieira realizada  outubro/2004.