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A Arte Mercantilizada
DUAS MICARETAS
MICONQUISTA MICONQUISTA COM DATA MARCADA
Será realizada nos dias 19, 20, 21 e 22 de abril de
2007(quinta, sexta, sábado e domingo,
respectivamente) conforme a Secretaria de Turismo.
Ainda não se sabe se será uma festa pública,
onde todos os foliões participarão ou
particular, uma festa voltada para os abastados. O
pouco dinheiro liberado nas últimas edições desta
folia, mostra que a prefeitura perdeu o
interesse, vez que a festa não rende votos. Assim
sendo, já está passando da hora de
privatizá-la. Se isto vier acontecer, os diretores
do Grupo Massicas vai ficar sorrindo para as
paredes, pois são os mais interessado na idéia de
uma festa fechado, onde poderão
explorar em regozijo até os comes e bebes. Há mito
que este grupo vem trabalhando para isto. Não é
à-toa que há muito seus dirigentes vêm
fechando o cerco e jogando para escanteio todos os
empresários que se atrevem em querer, também,
beliscar uma fatia do bolo. O grupo massicas
vem de muito trabalhando para ser proprietário
particular desta alegria momesca, tanto é que
teve a preocupação de criar blocos de adulto,
blocos de crianças, blocos de pobres, bloco de
ricos, camarotes e demais recursos para arrancar
toda grana possível desta alegria. Não se sabe se o
declínio desta festa é resultado da ambição
desenfreada deste Grupo, por
transformar o evento em uma festa de um bloco só
ou trata-se da incompetência dos Secretários
responsáveis pela organização da festa, que
mostraram-se desqualificados, deixando a
festa decair a ponto de chegar onde chegou. ENTREVISTA COM O CANTOR BÉU DO CHICLE Béu do Chicle recebeu a equipe do "Miconquista" para uma breve entrevista na sua humilde mansão. Miconquista: Béu, tem-se por endinheirado todos os pagodeiros, mas você é uma exceção. No último carnaval de Salvador você mostrou que cantar não dá camisa a ninguém.Béu: Donde tirou esta idéia maluca, meu rei? Todos os trocados que tenho veio do meu canto. Que que é isso, cara? Mi.: Mas a camisa com a qual você se apresentou na festa mostra a penúria em que vive. Camisa de propaganda política, além de velha faltava uma manga. Não dava para pedir um adiantamento aos donos do Bloco para você se apresentar melhor? Béu: Não era preciso, eu tenho minhas reservas, acontece que a gente tem que economizar para vencer na vida. Mi.: Era visível a mancha deixada pela Q-bôa, usada para apagar o nome grafado na camisa. A propósito qual era o nome do deputado que lhe deu aquela camisa? Béu: Não me lembro mais do nome, há muito tempo, inda da época da eleição de Collor para presidente. Mi.: Você subiu no trio arrastando as alpercatas. Quantas vezes aquela chinela escapuliu do dedão do pé? Béu: Ah! Ah! Que mané alpercata coisa nenhuma, meu rei! Eu, nesse dia, usei uma sandália macia que, por sinal, muito confortável. Mi.: Mas nos importados de R$1,99 encontra-se calçado melhor, não acha?
Béu:
De R$l,99 eu acho difícil de encontrar,pois, eu andei a
cidade toda e a mais barata que encontrei foi àquela que me
custou R$2,99. Não pechinchei e paguei à vista para mostrar
para os amigos que não sou assim... esse mão de vaca, como
erroneamente as pessoas insistem em afirmar. Béu: Eu sou parcimonioso nos gastos, mas neste particular trata-se de um hábito tradicional. Eu, desde criança, costumo usar calça curta e não vai ser agora, depois de grande, que irei abdicar-me facilmente de um hábito tão antigo. Mi.: Na Micareta de Vitória da Conquista você se apresentou de calça comprida e os foliões andaram dizendo que você tomou emprestada de Massinha, tem algum teor de verdade nisso? Béu: Comprida é a língua do povo. O frio de Conquista me pegou de calça-curta, e a friagem nas pernas obrigou-me alugar a referida calça por uma noite. No início até pensei em tomar emprestado de um dos componentes da banda. Cheguei ao ponto de pensar em comprar uma novinha. Mais tarde analisei profundamente a idéia e achei ser muita extravagância em comprar uma calça para usar um único dia e terminei optando pelo aluguel. Mi.: Não parece ser muita canguinhez para um homem montado na mufunfa. Béu: Ao contrário, sou muito econômico e graças a minhas economias acabei construindo um patrimônio razoável. Mi.: Toda vez que o trio Chicle passa diante dos camarotes dos governadores da Bahia, você leva uma eternidade em discurso bajulatório com o intuito de canonizar maus políticos. Afinal, quem é seu patrão:os fãs que compram seus discos, que compra os abadás, que vão aos seus show ou os políticos que vivem usando e explorando estas pessoas que adoram você e que lhe quer tanto bem? Béu: Pega leve meu chapa. Primeiro você tem que ser sensato e um tanto prudente. Na vida, vence aquele que aprende a servir aos dois senhores ao mesmo tempo. Se você for excessivamente radical termina perdendo o mercado de trabalho, feito Luiz Calda, e acaba ficando mais por fora que umbigo de vedete. Mi.: Temos fotografias no nosso arquivo da Micareta de 1992 em que você ostenta na cabeça, para disfarçar a carequice, aquele pano vermelho que você usa até hoje. Béu: Não é um pano qualquer. Trata-se de uma badana que recebi como presente de uma Fã especial. Mi.: Será que era tão especial assim a ponto de você passar a vida toda com o mesmo pano na cabeça sem nunca pensar em trocar? Naquilo deve haver uma seborréia danada. Béu.: Não se preocupe! Todas as vésperas de Carnaval eu tenho a preocupação de lavar, e lavar bem, para que o adorno fique novinho em folha. Se ainda serve, para que trocar, não e mesmo? É um desperdício e dos grandes. Mi.: Seus amigos dizem que você não abre a mão nem para dar um acorde dissonante, que você adora produtos importados de preferência de R$l,99, e que não aparece em público ou em programa de televisão por ter medo de alguém lhe pedir dinheiro emprestado. Tem fundamento neste absurdo?
Béu:
É notória a minha simpatia pelos os importados,
principalmente os produtos de R$1,99, meus pródigos amigos
não entendem e acabam tirando um sarro. Quanto a minha
esporádica aparição em público ou em programa de
televisão não se dar em virtude de um inesperado pedido de
empréstimo e sim, pelo risco de alguém me pedir este
dinheiro como dádiva e por isso eu corro léguas para
proteger meu patrimônio. Béu: Ué!? Aina não sacou? Vixe Mainha! É dinheiro meu Rei! Grana! Tutu! O que mais haveria de ser? |
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