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                                                    PIABA 

        Não vou dissertar sobre pescaria, muito  menos sobre  peixes fluviais, mas  sobre o horrípilo que intitulamos de  arte. Oh! sociedade onde estás que não acordas?   Que que é isto minha gente? Como de uma só vez   pode alguém juntar tanta podridão em nome da arte?  Por que fazer do  teatro uma latrina? Será que não existe meio menos despudorado de ganhar dinheiro? Onde queremos chegar? Qual o propósito das empresas: emissoras de rádio, televisão; hotelarias e tantas outras patrocinarem tamanha devassidão? O Show do “PIABA” é sustentado pela obscenidade e pontuado pela a indiscrição. O artista, sem quaisquer reserva, escancarava as intimidades e perversões sexuais e esmiuçava as necessidades fisiológicas  que repugnava até os mais depravados. Haja falta de objetividade, de ideal, de respeito e de pudor para  alguém construir uma barbárie  daquela e chamar de arte. Só mesmo da cabeça  do escrachado “PIABA”  poderia expelir tamanho  absurdo. Como assistir indiferente ao uso indevido da liberdade de expressão. Como não dizer nada  ao testemunhar alguém praticar  a democracia  teatral para enfear a alma das pessoas  que buscam o entretenimento. No Show, a decência desertou o recinto nos primeiros minutos. Como pode um artista se dar ao trabalho de  catar o podre  do nosso cotidiano com o objetivo de arrancar riso e dinheiro da platéia. Isto é ridículo! Devemos ao infinito elevar os conceitos  nobres, mas quanto aos  valores bestiais, devem-se colocar freios e repudiá-los e este papel  cabe a nós. O Show do “PIABA” não é entretenimento, não é arte, não é teatro, é o retrato da decadência de maneira ampla geral e irrestrita dos princípios  morais/éticos da nossa sociedade. O que que não é permitido na nossa decadente sociedade onde as depravações  já recebem salva de gargalhadas. Será  que estou pregando no deserto ou sou um  otário tirado a moralista por não querer entrar nesta moda? Por não  adotar  estes absurdos? Infelizmente nunca vi tão em voga: Vá ao teatro mas não me convide. E acrescento:  Nem eu nenhum dos meus familiares. Por favor!
Por José William Vieira