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Folia Miconquista

  

                                       PORRADÃO, A FOLIA MICONQUISTA.

                                     Conquista foi palco da explosiva festa democrática, onde aconteceu, de tudo, um pouco. No coliseu da alegria todos se comportaram do jeito que lhes apraziam.  E, neste dia, toda a gente se fez bonita para ver o trio passar. Os políticos com o discurso pronto; os comerciantes de olho nos lucros; a imprensa nos detalhes;  os jovens com galanteios ensaiados iam ao tudo ou nada;  e as mulheres,  que ainda  jogam  o jogo da sedução,   com  suingues  voluptuosos,  regojizaram a imaginação dos homens. E  a alegria enche a avenida e o povaréu pagodeia!
                                    A magnitude da festa só era arranhada quando da hora da  passagem dos  trios.  Os trios, feito torpedo sonoro, atingem os vãos, detonam os tímpanos  e trovoam os continentes, provando que só mesmo a Bahia, único lugar no mundo a  produzir  músicos surdos. É a tecnologia musical a favor do barulho. Os estrondos  embrulham o estômago, dá azia, dor de dente e zune a cabeça. Os trios da Prefeitura, com  caixa acústica rasgada, espalham o fanhoso som na avenida e os anônimos artistas pensam  que estão abafando.                                
                     O servilismo a que os foliões se submetem  para saudar  os artistas consagrados gera o estrelismo, e, por conta disto, os cantores atocham no preço, encarecendo a festa ao ponto até de inviabilizá-la. Os notáveis ganham rios de dinheiro e não realizam nenhum benefício social, e, em troca, a única coisa que fazem é bajular e enaltecer  políticos corruptos, inimigos do povo, como se tem televisionado nos carnavais de Salvador.                                                   
                  A festa em si é tudo aquilo que acontece no circuito: do pirulito das crianças às parafernálias dos trios. De todas,  “Miconquista” é a festa mais miscigenada em termo de música. Roque,  xaxado, baião, valsa, marchinha e outras infinidades de atrações. Domingo eu optei pelas marchinhas,  não agüentava  mais ouvir  “Poeira”  de Ivete. A mesma sorte não tive quando tentei  me esquivar da  “Zorra” do  Timbalada. Segunda,  quase morri de espanto quando eles entraram na avenida. Marcados para sábado, apareceram segunda.  Massinha é esperto, enganou a todos. Vendeu um produto e entregou outro. Matou a pau! Mas teve gente de fora que veio sábado só para ver Timbalada e não  viu. E  seria capaz de pagar  mil abadás para colocar as mãos  no pescoço  deste  empresário.
                                    Na megafesta tudo que  havia era é gigantesco. A abismal diferença social existente naquele pequeno pedaço de chão, era vívida. Dum lado a penúria; pessoas usurpadas pela pobreza, carregando no corpo molambos;  no pé,  surradas alpercatas; no rosto, a estafa e a melancolia. O  pauperismo se arrastava na avenida: ora sustentando a corda, ora  a corda  lhe sustentava.  E bem ali, ao lado, a magnificência. Estrelas  que cantam   para os sortudos  de terem nascidos do lado afortunado. Os holofotes  brilhavam  para eles. E a rainha do orgulho, com o sorriso insosso,  que vai só até a metade da boca e volta, apresenta-se funestamente vestida cobrou cem mil reais pelo seu canto,  preço  sinistro, tão sinistro quanto sua fantasia.
                                    E a festa rolou solta.  Nada foi  igual nesses cinco dias. Nenhuma rotina resistiu a tanta agito, tanta graça e a força do bailado. Toda  alegria extravasada e os conquistenses e convidados foram para casa cansados.... mas felizes.
José William Vieira